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terça-feira, 17 de setembro de 2013

#VemPraRua #socialgood O 4º post - o poder é, de fato, nosso


Durante o auge das manifestações ocorridas no meio do ano, fiz uma série de três posts a respeito (Post 1Post 2 e Post 3). No último 7 de setembro, esse clima reacendeu um pouco para, logo depois, cair novamente o gigante em sono, como muitos dizem. Será?

Os desmandos continuam, não se iludam. Assim como as soluções paliativas, os factoides, a tentativa de desqualificação do movimento das ruas, por parte da mídia convencional. A população ficou receosa de sair, com tantas imagens do que chamam de vandalismo. Quem ainda está no "front" são poucos resistentes que, mesmo marginalizados, continuam lutando por eles, por mim e por você. Mas algo novo acontece. Não estamos dormindo novamente, como muitos acreditam. Estamos bem acordados, atentos ao que acontece, às informações que chegam pelas redes sociais, essa a maior arma que temos atualmente para uma informação isenta, rápida e sem censura. Informação vinda diretamente das ruas, dos plenários, da situação. Sem edições, sem cortes, sem compromissos com patrocinadores. Claro que muita coisa tem que ser filtrada e checada, para isso estão aí as pessoas com maior poder de discernimento, formadores de opinião. Informação e cultura não servem só para serem armazenadas, mas para serem usadas na prática, para ajudar, para o bem comum. E essas informações são repassadas de forma veloz e eficiente, chegando a quem se interessar por elas.

De tudo que ocorreu durante o ano, a lição mais valiosa que aprendemos foi a do exercício da cidadania. Se quisermos, nós fazemos, nós mudamos, nós reescrevemos. Não é um processo fácil, nem indolor. Mas é um processo necessário e o momento é agora!!!

Não vamos sair das ruas, nem das redes sociais. Estamos sim, mais atentos. Ano que vem teremos eleições gerais. Precisamos nos fazer ouvir nas urnas. Precisamos votar melhor, mesmo com opções limitadas. E, quando as eleições acabarem, temos que cobrar. Para não ficar reclamando de quatro em quatro anos apenas... Para fazer o sistema trabalhar para nós, pois somos nós que pagamos por ele, com quase meio ano de nosso trabalho.

Queremos um país mais justo e com mais oportunidades para todos. O poder para isso nós temos.

"Todos juntos somos fortes, somos flecha, somos arco..."

Foto de Rebeca Brício, do blog "Mulher que pariu!!!", feita durante a manifestação de 17/06, que levou milhões de pessoas às ruas das principais capitais do país. 

No dia 24 de setembro, em São Paulo, acontecerá o Seminário Social Good Brasil 2013, cujo tema será Inovação Social em uma Sociedade Conectada. O objetivo do evento é proporcionar um ambiente favorável para troca de ideias e colaboração, disseminando o uso da tecnologia como ferramenta de mudança e ação. A programação traz Anna Penido, diretora do Instituto Inspirare, Regina Esteves, superintendente do Centro Ruth Cardoso, entre outras pessoas que fazem acontecer. Poderá ser acompanhado ao vivo, pela página, por streaming.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Série Manifestações - Post 2 - Hora de passar de fase! #protestomaterno

Update: essa postagem faz parte da blogagem coletiva e de uma série sobre as manifestações que estão acontecendo em todo o país. Leia o Post 1 aqui

#protestomaterno Mães unidas por um Brasil melhor. Participe!!!!




Manifestação no Centro do Rio de Janeiro. Estima-se que compareceram cerca de 100 mil pessoas. Imagem da GloboNews.

" A ditadura perfeita terá as aparências da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão"
Aldous Huxley, em Admirável Mundo Novo, 1932

Hoje o Brasil assistiu ao verdadeiro início de uma revolução com as manifestações que ocorreram em várias capitais. Uma coisa que começou confusa e com boa parte da opinião pública contra, cresceu em duas semanas de forma exponencial. E esse sentimento de revolta, misturado ao desejo por mudanças, tomou conta de boa parte do país.

As mídias sociais tiveram papel fundamental no processo democrático e apartidário, firmaram-se como mídia democrática e imparcial. Através delas, houve a convocação para as ruas e por elas a informação circulou por todo o mundo, sem filtros.

A manifestação foi um sucesso!!! #OGiganteAcordou. Tirando um ou outro incidente, não houve violência, nem da parte do Estado, nem da parte dos manifestantes. A exceção talvez tenha sido Belo Horizonte, onde a polícia respondeu de forma desproporcional, por causa do jogo acontecendo no Mineirão.

Imagem: Rebeca Brício

Agora... É hora de mudar de fase. Caso o valor das passagens seja revisto (coisa que a maioria dos governantes nega que vá ocorrer), é muito mais do que uma vitória simbólica de retrocesso de alguns centavos de real. É a prova de que nós podemos nos organizar e exigir. Os governantes, cumprindo, não fazem mais do que a sua obrigação, já que tudo isso é nosso e, se estamos insatisfeitos, não podemos pagar mais pelo serviço que está sendo mal prestado. O desafio agora é entender e priorizar demandas por parte do poder público, estabelecer uma agenda. E, nessa hora, não podemos perder o fio da meada. Temos que acompanhar de perto. Esse mesmo movimento que levou milhares de pessoas às ruas, tem que ter jogo de cintura para dar prosseguimento ao jogo. E nós temos que acompanhar isso de perto, pelo movimento em si e dando reposta pelo voto.

Sabemos que não é só pelo aumento de passagens. É a aberração do Estatuto do Nascituro, é o desrespeito à laicidade do Estado em prol de proselitismo religioso, é a PEC 37, cujo conteúdo, se aprovado, deixará muitos crimes impunes e dificultará a investigação de outros, é a saúde sucateada, a educação muito aquém do que merecia um país que se diz em desenvolvimento... São muitas as reivindicações e isso não esvazia o movimento, pelo contrário, mostra a nossa insatisfação com o uso do dinheiro dos impostos, que merecemos uma qualidade melhor de serviços prestados e que vamos exigir isso. Mesmo que precisemos ir várias vezes para as ruas para que aconteça.

Imagem: "Mas já é vandalismo"

Muitos dizem, de forma depreciativa, que esse movimento é de classe média. Pois eu louvo que esse movimento seja de classe média. Esta não tem comprometimento com o Governo, não depende de bolsas, de subsídios, precisa trabalhar para produzir riqueza e pagar seus impostos. E, muitas vezes, paga em duplicidade, pois seus impostos não têm contrapartida em serviços. Daí tem que pagar escola para que seu filho tenha uma formação decente, tem que pagar plano de saúde para ter o mínimo de acesso à medicina, ou quando precisa de um serviço público tem reclamar muito, ou até recorrer à Justiça para ter sua necessidade atendida. Essa parte da população, que "mata um leão por dia" e tem acesso à informação, pode sim fazer a diferença, para todos.

Imagem: Rebeca Brício

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Série Manifestações - Post 1 - Que bom que não somos pacíficos! #protestomaterno

Update: essa postagem faz parte da blogagem coletiva e de uma série sobre as manifestações que estão acontecendo em todo o país. Continue a série, lendo o post 2 aqui.

#protestomaterno Mães unidas por um Brasil melhor. Participe!!!!



As grandes mudanças acontecem sob revoluções. Não fosse assim, ainda estaríamos sob a mão de ferro da ditadura. Esta acabou por conta de um acordo capenga e capcioso, isentando os militares de todos os seus crimes, em prol da volta da democracia. Mas, até chegar a esse "acordo", muitas manifestações aconteceram e o governo se viu pressionado. É louvável priorizarmos as manifestações pacíficas, mas ser pacifista não significa ficar calado, baixar a cabeça e ficar no seu sofá mandando mensagens pelo Facebook. A internet, mais uma vez, através da mobilização das redes sociais, mostrou sua força. Mas nem por isso a rua deixou de ser o local certo para gritarmos e exigirmos.


Elinaria Andrade - Agência O Globo

Elinaria Andrade - Agência O Globo

Os governadores Sérgio Cabral e Geraldo Alckmin têm razão. As manifestações são atos políticos. Mas não são atos partidários, tampouco criminosos. São manifestações políticas da população. Aparentemente, não existe um comando central. É um mosaico que se formou contra desmandos, contra passagem cara e serviço de qualidade inferior, contra impostos pagos sem contrapartida à população. Nunca foi por causa de 20 centavos.

De parte da mídia, foi preciso que jornalistas fossem atingidos para que esta passasse a cobrir os acontecimentos com mais isenção. Literalmente, teve que cortar a própria carne. Porque, até então, os manifestantes não passavam de vândalos e baderneiros. Até que a polícia mostrou a que veio.


Diego Zanchetta - Agência Estado

São Paulo, por exemplo, vive um período de vergonha. Durante a Virada Cultural, a polícia permitiu que houvessem arrastões e assaltos, por pura omissão. Latrocínios acontecem praticamente todos os dias. Ninguém mais janta num restaurante sem medo. Quantas vidas de cidadãos já foram ceifadas pelo crime, só nos últimos meses? Agora, a polícia agiu. Mas não contra bandidos, contra a população, que paga seu salário com seus impostos, não tem segurança e ainda toma borrachada quando se manifesta. Prefeito da cidade e governador do estado estavam em Paris. 

A Polícia Militar de São Paulo é notoriamente violenta. Curiosamente, isso não reflete em melhoria na segurnça pública...


Michel Filho - Agência O Globo

Michel Filho - Agência O Globo

Rodrigo Paiva - Agência Estado

O que as pessoas têm que entender é que protestos são necessários para que digamos que estamos descontentes. E que não existe protesto pacífico. Aiás, estamos há muito tempo pacíficos. Temos, sim, que deixar de ser. Temos o voto, mas temos também a força de milhões gritando. As tarifas podem até não baixar, pode ser um estopim apenas. Mas, agora, os governantes sabem que tem gente que não fica mais calada.

Nós é que somos os donos, nós é que pagamos a  conta. Eu quero ver mais manifestações, no Rio, em São Paulo, no Nordeste, em Brasília... Como mulher, mãe e cidadã, quero ter o controle do Estado e do Sistema que sustento. E quero que funcionem a meu favor.


Elinaria Andrade - Agência O Globo


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